segunda-feira, 6 de junho de 2016

89 CORES: 88 QUE GOSTO, 1 QUE NÃO GOSTO

Instalação de pintura site-specific

Biblioteca da Escola 2+3 de Campelos, Torres Vedras, 2015
óleo s/ tela, 80 cm (alt) x perímetro da sala.
















sexta-feira, 27 de maio de 2016

LE DEVINER FABLE DU MONDE

Lugar do Desenho / Fundação Júlio Resende

14 Maio - 26 Junho 2016










LE DEVINER FABLE DU MONDE agrega um conjunto de 60 desenhos que constituem esta mostra individual da artista Ema M para a Sala de Exposições Temporárias do Lugar do Desenho / Fundação Júlio Resende que  inaugura no dia 14 de Maio de 2016.
Os 60 desenhos (a tinta-da-china sobre folhas de papel com 35x33cm) são concebidos propositadamente para esta exposição e instalados de modo a mostrarem como a sua sequência obedece ao conceito de ciclo e, simultaneamente, de série. Ciclo, porque se trata da representação de uma ficção visual onde se forja o nascer, o crescer e o morrer de uma árvore imaginada a atravessar as estações do ano. Série, pela continuidade que a representação da coisa viva admite, ou seja, ad infinitum, porque em continua renovação e, também, pela coerência do processo técnico, ensimesmado, insistindo no mesmo tipo e formato de papel e utensílios riscadores. É na variação do riscar – como grapho, como escrita, como traço, no dizer e no mostrar, que se faz esta árvore, página a página. Dentro da ordem do reconhecimento e na figuração complementada pelo registo da fala, com palavras escritas, remetendo para a narrativa (e para a poesia visual) sem deixar o território do desenho, este circuito de desenhos engloba dois momentos temporais: o cronológico, do tempo linear e sequencial,  e o cairológico, do tempo cíclico e sazonal, sem princípio nem fim. 














Ema M, Le deviner fable du monde, 2016, tinta-da-china sobre papel coral book 300 g/m2, 35x33cm 

segunda-feira, 23 de março de 2015

A SALA DOS MAPAS DAS ILHAS FLUTUANTES NA CASA DA CERCA

SALA DOS MAPAS 

DAS ILHAS FLUTUANTES 

por EMA M

Integrada na exposição colectiva VIAGEM
curadoria: EMÍLIA FERREIRA e ALEXANDRA CANELAS

14 de Março a 06 de Setembro de 2015




Ema M, Vista da Sala dos Mapas das Ilhas Flutuantes, Casa da Cerca, Almada, 2015




Ema M, Vista da Sala dos Mapas das Ilhas Flutuantes, Casa da Cerca, Almada, 2015




 Ema M, Vista da Sala dos Mapas das Ilhas Flutuantes, Casa da Cerca, Almada, 2015




Ema M, Vista da Sala dos Mapas das Ilhas Flutuantes, Casa da Cerca, Almada, 2015




Ema M, Vista da Sala dos Mapas das Ilhas Flutuantes, Casa da Cerca, Almada, 2015




Ema M, Vista da Sala dos Mapas das Ilhas Flutuantes, Casa da Cerca, Almada, 2015




Ema M, Vista da Sala dos Mapas das Ilhas Flutuantes, Casa da Cerca, Almada, 2015




Ema M, Vista da Sala dos Mapas das Ilhas Flutuantes - O Barco, Casa da Cerca, Almada, 2015



Ema M, Vista da Sala dos Mapas das Ilhas Flutuantes, Casa da Cerca, Almada, 2015




Ema M, Vista da Sala dos Mapas das Ilhas Flutuantes - A Legenda, Casa da Cerca, Almada, 2015




Ema M, Vista da Sala dos Mapas das Ilhas Flutuantes, Casa da Cerca, Almada, 2015 




Ema M, Vista da Sala dos Mapas das Ilhas Flutuantes, Casa da Cerca, Almada, 2015


"Lisboa, 19 de Março de 2015


Cara amiga,

Espero que se encontre bem nesse lugar maravilhoso junto ao Tejo que recordo sempre habitado ou por um sol radioso ou densos e gelados nevoeiros.
Escrevo-lhe a propósito de um Mapa que me veio parar às mão por obra e graça de um testamento. Recebi uma carta, ou melhor, um pacote vindo da Holanda cujo remetente é uma antiquíssima firma de advogados (parece que a advocacia é o negócio desta família). Aparentemente, como representantes dos famíliares de Jodocus Hondius, editores de mapas desde o século XVI, encontraram nos seus arquivos este pacote por enviar e destinado a um antepassado meu. De imediato, e porque o dito pacote tinha sido deixado aos seus cuidados, fizeram uma investigação que os trouxe até mim, como legítima herdeira da pessoa que procuravam. Mas isto só interessa porque dentro do pacote encontrei algumas cartas e sete espantosas anotações cartográficas de derivas e desorientações – Mapas das Ilhas Flutuantes – que foram desenhadas por um marinheiro e, ao que parece, entregues  ao próprio Jodocus Hondius para os redesenhar e publicar. Como sabe, há muitas gerações atrás, a minha família  também estava ligada à cartografia e alguns dos meus familiares navegaram pelo mundo para conferir os dados dos vários mapas que elaboraram, aliando o registo à experiência. Foi este o motivo pelo qual Hondius lhes enviou os desenhos e cito:

“Caro colega, peço que me auxilie pois estou verdadeiramente desorientado na descodificação destes gatafunhos. A Rosa-dos-Ventos surge várias vezes representada em cada mapa, indicando posições diferentes para o Norte e assim, desnorteado, não sei como interpretar o que vejo. Nenhum dos nomes inscritos é referido em qualquer dos mapas que já fiz. O Mar é Só Mar o que me impede de o localizar no Mapa Mundi . Diga-me, pois é um homem com experiência, sabe onde ficam estas ilhas?”

A resposta foi breve: “Hondius, as páginas que me enviou marcam a minha profunda ignorância do Mundo. Devolvo-lhas pois desconheço em absoluto qualquer um destes lugares. Que indicações lhe deu o encomendador? Contou-lhe alguma coisa que nos possa elucidar sobre estes mapas?”

E é aqui que estes desenhos me começaram a interessar pois Hondius respondeu com uma história maravilhosa. Parece que o marinheiro, ao pedir o registo rigoroso e cartográfico dos seus rabiscos, lhe contou que os desenhara durante uma enorme viagem. Ainda jovem tinha-se voluntariado para ir pelo Mar fora, à descoberta de mais Mundo. Queria ser rico. Queria ter terras. Mas a viagem foi dura e longa e, embora tivesse encontrado terras, num dia estavam lá e no outro desapareciam como se fossem fantasmas. À procura pelo Mar fora, refazendo percursos, às voltas, aos recuos, a terra firme que raramente se avistava era pisada durante dias inteiros para descanso de todos os marinheiros. À ida tinham seguido obstinadamente a Estrela da manhã. O caminho traçado para o regresso deveria passar pelas mesmas Ilhas, e – jurava o marinheiro – foi com muitos cálculos que o desenharam. Mas as terras escapavam aos pontos fixos pelo desenho. Só a Ilha com o vulcão mais alto foi avistada de longe, flutuando ao sabor das correntes marítimas. As outras, sem elevações, desapareceram totalmente do mapa e da vista, deambulando no desconhecido. Foi por isto que as nomearam de Flutuantes.  

E termina aqui a curta explicação do marinheiro, que faleceu logo após a sua visita a Hondius, por falta de vitaminas.
Ao que parece, Hondius dedicou-se ao fenómeno das Ilhas Flutuantes, o que o levou a guardar os desenhos do marinheiro e a viajar. Numa das suas viagens relatadas no pacote que me chegou, afirma: “Caro amigo, volto a escrever-lhe a propósito das Ilhas Flutuantes que se tornaram a obsessão da minha vida. Hoje cheguei a terra firme, depois de navegar durante cem dias. Ao pôr os pés no chão, senti-o oscilante, como se a terra boiasse na água. Há dias avistei de muito longe o que me pareceu uma montanha – miragem, talvez? – e lancei a âncora pois estava a anoitecer. No dia seguinte, a montanha desaparecera do horizonte.”

Querida amiga, como sei que gosta de histórias e tem um interesse particular por cartografias, envio-lhe os desenhos dos Mapas das Ilhas Flutuantes feitos pelo marinheiro de Hondius, para deleite da sua imaginação. Diga-me o que lhe parecem.

Beijos deste lado do Tejo,
Da sua amiga,
Ema M"



  Ema M, Mapa das Ilhas Flutuantes: Ilha Sem Nome, Ilha em forma de "i", Ilha do Meio 
72 x 70 cm, tinta da china s/ papel vegetal, 2015 





 Ema M, Mapa das Ilhas Flutuantes: Ilha d' Aqui e Ilha D' Ali
70 x 50 cm, tinta da china s/ papel vegetal, 2015 




 Ema M, Mapa das Ilhas Flutuantes: Ilhas do Desnorte
100 x 70 cm, tinta da china s/ papel vegetal, 2015  




 Ema M, Mapa das Ilhas Flutuantes: Ilha Maior e Ilha Menor, 
76 x 70 cm, tinta da china s/ papel vegetal, 2015 




Ema M, Mapa das Ilhas Flutuantes: Ilha Nova
50x70cm, tinta da china s/ papel vegetal, 2015





 Ema M, Mapa das Ilhas Flutuantes: Ilha Primeira e Arquipélago da Ilha Primeira
70 x 100 cm, tinta da china s/ papel vegetal, 2015




  Ema M, Mapa das Ilhas Flutuantes: Ilha à To(n)a, 50 x 70 cm, tinta da china s/ papel vegetal, 2015